quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Uma decisão maior que a vida
No dia 09 de junho de 2013 eu farei 50 anos em que me foi permitido vir a terra. Não sei se até agora cumpri dignamente minha missão. Sei das marcas deixadas e das que levo. Sei de todo carinho recebido, do pouco dado, da verdade as vezes sonegada, do medo sempre presente, das incompreensões.
Tive que tomar uma decisão extremamente difícil movida pelo fato que não sou super homem como todos precisam ou querem ser. Sou humano como dizia o poeta Mayacovsk "em mim a anatomia ficou louca sou todo coração". E foi o fato de ter mais coração que razão que me fez tomar a decisão de ter que voltar para as minhas raízes de simplicidade e humildade que tinha no Paraná.Aqui em Fortaleza eu fiz um nome, como tinha deixado um no Paraná. Passei centenas de alunos nos vestibulares, ajudei dezenas nas suas dúvidas pessoais. Fui muito mais amigo que professor. Fui muito mais homem que máquina. Fui muito mais sincero que aparência. E por isso faleci em mim mesmo. O mundo que vivemos é repleto de super homens e eu não sou um deles. Lembro ainda no Paraná no início de minha carreira, quando um diretor que seria meu chefe e posteriormente um dos meus melhores amigos me disse: "Eu deixei de estar no parto da minha filha porque tinha aulas para dar!". E arriscando perder o emprego respondi, o quanto deveria ser triste perder um momento tão insubstituível por algo que poderia ser reposto depois. Assim sou eu. Não finjo na sala, nem no face, nem na vida. Mas sei que exatamente por isso erro. Erro porque nem todos entendem as coisas que passo no silêncio de ser só sem família.
O começo de 2013 foi uma cacetada: a volta do tumor na tireoide, a carta do Juizado Especial dizendo que por não ter família nem tempo não sou apto a poder adotar uma criança, os dias de solidão. Tudo isso me fez pensar porque razão ainda moro aqui. Não fiz amigos, os que se dizem amigos nunca me visitaram nem abriram suas portas de casa nunca. Os amores que tive fui idiota o suficiente dentro da minha arrogância e prepotência e acabei deixando com que fossem seguir sua vida de forma mais feliz e justa.
Não sou perfeito como muitos pensam kkkkk, longe, mas muito longe disso, tenho meu lado mesquinho, tenho meu lado pequeno, aquele que as vezes se deita na cama no fim de semana ao invés de ir fazer caridade. Não creio na missa dos ricos, sempre a vi como um grande desfile de moda onde as pessoas vão muito mais para bater o cartão diante da sociedade do que realmente pela fé que tem no coração. Prefiro o comício dos pobres, dos desvalidos, das vielas escuras onde os que não tem são os que verdadeiramente ouvem a palavra de Cristo.
Me tornei um chato kkkk, velho, ranzinza, cheio de medos e cobranças. Não suporto mais determinadas músicas, nem filmes, nem ideias, nem papos vãos sobre as façanhas do campeonato cearense kkkk, um chato mesmo. O próprio Dr. Otto na nossa ultima conversa me disse uma frase do seu pai que encaixou como uma luva na minha história. Falando sobre seu pai falecido tão novo, ele disse que ele odiava ir ao Clube aqui da cidade e quando questionado respondia: Mas falar o que com todos lá???
Deixo o Ari de Sá num momento delicado para o Colégio eu sei, mas sei dos excelentes profissionais que vão me substituir. Não perdi nenhum aluno, ganhei enormes amigos em sala de aula, pessoas com seus dramas e suas angustia que sempre nas palavras das aulas eu tentei amparar e fora da sala me mostrar prestativo para ser o ombro amigo que não exigia nada.
O Colégio foi de uma justiça e ética enorme para comigo me dando apoio nesta hora. Foi descente e me ajuda até onde achei que não teria mais obrigação de ajudar.
Aos meus queridos alunos eu peço compreensão, respeito a quem entra no meu lugar e certeza que serão sempre guardados aqui no meu coração. Não quero perder o contato, meu face continua existindo e minhas palavras e ombro estão aqui também. Além do meu livro de história que também continua a venda!!!! kkkkkkkkkk - só me procurar pra comprar e guardar de lembrança
Falando bem sério agora:
Estou cansado, muito cansado, estes 13 anos no Ceará foram de muitas dores e perdas, meu casamento acabou aqui, minha mãe se foi, meu cão (que jurarei sempre não era um cão, era um anjo disfarçado de cão) e agora meu outro velhinho com 14 anos esta novamente com câncer (seis tumores) e não tem chance de ser operado mais.
Estou num momento que tenho que olhar a vida sem mitifica-la, sem esperar mais nada dela, acho que chegou a hora de que eu devo dar coisas a ela. Tempo de renovação, tempo de aceitação, de perceber suas falhas, perceber suas dores, perceber quem e o que realmente vale a pena. Como diz um amigo meu em todos os emails que me manda: As melhores coisas da vida não são coisas!
Chegou um tempo, como diria Drummond de fechar as portas, para o amor, para falsas ilusões. Um tempo em que não se deseja mais ter sucesso. Eu tive, eu tenho! Cheguei aonde muitos sonham chegar, fui professor de grandes escolas, fiz amigos a vida toda e não creio ter inimigos. Creio sim que é preciso as vezes se albergar dentro de si para renascer com fé e verdade, sem crer nos falsos profetas, nos idealizadores de imagens utópicas que vendem uma faixada do que na verdade não são....Ahhhh decepções: gerei muitas em muitos recebi o triplo de volta.
Não espero mais nada de ninguém, tento agora ficar sem expectativas. Creio tanto em Nosso Senhor Jesus, que sei que ele fechou uma porta para abrir uma AVENIDA!
Sou mais que muitos por ser honesto e justo, sou muito mais a minha verdade que a alardada pelos que se dizem infalíveis, imbatíveis.
Todos um dia iremos nos encontrar e daremos um forte abraço diante de Deus e nesse dia a verdade será exposta ao olhos da humanidade.
Um grande beijo a todos homens e mulheres, porque é um beijo de carinho e ele vem repleto do amor deste que é tão frágil e falível que nem sabe como acabar a carta.
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